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Exportações de óleo de cozinha usado despencam em 2026
Volume embarcado cai quase 90% na comparação com 2025, após dois anos recordes; regra do 45Z nos Estados Unidos está entre os motivos
As exportações brasileiras de óleo de cozinha usado (UCO) recuaram fortemente em 2026. De janeiro até o fechamento desta matéria, o país embarcou cerca de 3,8 mil toneladas do resíduo, volume quase 90% menor que as 33,2 mil toneladas exportadas em todo o ano de 2025. Os números são parciais — o ano ainda está em curso —, mas já sinalizam uma inflexão na série.
A queda interrompe um ciclo de expansão acelerada. Em 2023, o Brasil exportou 21,5 mil toneladas de UCO, com receita de US$ 26,5 milhões. Em 2024, o volume saltou para 37,7 mil toneladas, o pico da série, com US$ 35,7 milhões em valor FOB. No ano passado, foram 33,2 mil toneladas e US$ 35,4 milhões. Em 2026, a receita acumulada é de cerca de US$ 4,3 milhões.
O QUE MUDOU
Um dos principais fatores é a entrada em vigor da regra do 45Z nos Estados Unidos. Para combustíveis produzidos depois de 31 de dezembro de 2025, o crédito tributário americano só pode ser concedido quando o produto é derivado exclusivamente de matérias-primas produzidas ou cultivadas nos Estados Unidos, no México ou no Canadá.
A regra não proíbe a importação de UCO brasileiro, mas retira o acesso ao benefício fiscal. Na prática, o resíduo do Brasil perdeu competitividade para usinas americanas de biodiesel, diesel renovável e SAF, que passaram a priorizar fornecedores norte-americanos.
OUTROS FATORES
O mercado interno também passou a absorver uma fatia maior do resíduo. O consumo de UCO pelas usinas brasileiras de biodiesel segue em crescimento, e a exigência de participação mínima de 1% de óleos e gorduras residuais na produção de biocombustíveis a partir de 2028 tende a ampliar a disputa pela matéria-prima dentro do país.
Com mais compradores domésticos e menos incentivo para embarcar aos Estados Unidos, recicladores e tradings passaram a direcionar o volume para o mercado brasileiro.
O QUE ESPERAR
A tendência é de retenção do UCO no mercado doméstico. Se por um lado a queda nas exportações reduz a receita em dólar dos embarques, por outro amplia a oferta de matéria-prima para a indústria nacional de biocombustíveis, em um momento em que a demanda regulatória pelo resíduo só tende a crescer.

